Esse texto, em nenhum
momento é uma crítica a igreja, ou ao padre, atenta simplesmente ao ser humano,
independente de sua religião. O texto surgiu depois de uma leitura da Paula Barros ao meu status no Facebook, quando um padre negou um cumprimento a uma senhora e depois com desdém, gesticulou a mão quando ela lhe pediu uma benção. Obrigado minha querida e estimada amiga, Paula Barros.
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Oh! Meu Deus, fico triste com a
imensidão do silêncio, não se tem respostas. Quando não se tem um espelho, em
que mirar? Meu Pai, não tem observação, nem sequer um curtir se tem. É, Deus,
hoje em dia, nem precisamos falar para ouvirmos a sua voz, é tudo enigmático,
assim como o Senhor é, precisamos decifrá-Lo, é preciso tirar conclusões.
"Bom dia, padre". Santo Cristo, nem o padre responde mais a um
cumprimento. "Padre, sua benção". Pai do céu, ele nem se deu ao
trabalho de olhar para trás, simplesmente gesticulou a mão. Será que fez isso
por obrigação, para não manchar a sua imagem perante os outros? Por mais
revestido de crenças que estejamos, Pai, nos perdemos quando deixamos vicejar o
que nos é humano. Sabe, dizem por aqui, que o Senhor fala com as pessoas, mas
que elas não escutam, não entendem. Como escutá-Lo se nossos erros nos
ensurdecem, como entendê-Lo, Senhor, se ao não reconhecermos esses mesmo erros
nos cegamos. Outros dizem que o Senhor fala por sinais. Como, meu Pai, entender
esses sinais se não conseguimos entender a nós mesmo. Mas e o padre, Senhor,
por que ele não falou comigo? Por que ele não disse nada? Não entendeu os
sinais que lhe envie? Eu fico triste, às vezes indignada, e até revoltada. Mas
eu trato o padre igual trato o Senhor. Não deveria, Pai? Responda-me, por
favor. Eu sei, Senhor, ele não é Deus, apenas mais um ser humano. Sim, eu sei,
o Senhor não gostou do que eu disse, não foi? Fala-me, Pai. Será que os meus
erros foram tantos que me ensurdeceu? Reconheço que eles são muitos, perdoa-me.
Dentre esses erros estar o de comparar um padre com o Senhor, é demais, não é?
Eu sei que sou exagerada. Porém, acredito que o Senhor está dentro de nós, não
está? Por que a mudez? Dizem que o senhor se comunica no silêncio, mas não te
ouço. Eu não compreendendo esse Teu silêncio, definitivamente. Queria te ver,
Pai, saber se seus olhos ficam marejados devidos aos nossos erros. Ficam,
Senhor? Responda-me, pois o que mais faço é chorar pelos meus. O teu silêncio
não me é compreensível, porque o silêncio se assemelha ao desprezo. Mas às
vezes eu penso assim: se o padre é humano, portanto, fadado ao erro como eu,
então é melhor que ele fique longe de mim, pois, ele é tão surdo como eu. Que
ele continue a andar apressado, sem olhar para trás, sem ouvir o meu chamado,
gesticulando a mão como sinal de benção. O seu desprezo demonstra a sua surdez,
a falta da resposta ao cumprimento a sua escuridão. Deixa-o ir, seguir o seu caminho,
e eu de cá fico a observar.

O outro nos serve de espelho
para não sermos tentados a cometer o mesmo erro. Com o seu desprezo, o padre
silenciou, Pai. Eu tenho, Senhor, de
tirar lições do silêncio que é silêncio para poder escutá-Lo. Por que as luzes
se apagaram, Pai? Eu e a minha mania de querer respostas para tudo. Tudo bem,
eu não preciso vê-Lo para escutá-Lo. Sabe, Pai, eu vim parar nesse banco da
estação por que não conseguia senti- Lo nas igrejas, ali a balburdia era em
demasia, a música muito alta, o nome dele, do outro, sabe, do seu adversário
era dito repetidas vezes que provavelmente o Senhor ali não seria bem vindo.
Pois bem, vim parar aqui tentando Lhe encontrar nas pessoas. Nós que somos a
sua igreja, nós somos pedras que desgastará com o tempo, cujo pó espalhará o
que Seu filho aqui nos deixou: amai-vos uns aos outros. A energia voltou, Pai,
que bom, agora posso enxergar as pessoas. Não voltou? Senhor, estou Lhe
ouvindo. Sim, a Luz é vinda do senhor. Às pressas, as pessoas vão à cega, não
Lhe enxerga, não percebe que tudo que há é pela força de sua Luz, não Lhe ouve
devido andar as escuras, para lhe escutar é necessário enxergar a tua Luz,
recebê-La para então, no silêncio escutá-Lo. Sim, Pai, eu compreendo. Quanto ao
Padre, sim, entendo, ele se vestiu com suas crenças e na sua arrogância, acha
que toda ovelha fora da sua igreja é desgarrada. Quanto às pessoas, sim, Pai,
eu sinto a sua Luz e entendo tudo, elas estão vestidas de escuridão, a
ignorância as afasta da Luz. Sim, Pai, é compreensível, sofremos porque nos
afastamos de Ti, afastados cometemos erros, os erros nos ensurdecem e nos cega.
Sim, sinto-me iluminada. Porém, Senhor, o homem também é um animal e a sua
insensatez o impele a ser fera, entre feras é o instinto que o move, não sei se
estou preparada para isso. Sim, senhor, entendo, o padre também não está, o meu
vizinho também não, ninguém está. Eu sei, Pai, por mais espinhoso que seja o
caminho, há a necessidade da caminhada para se alcançar a Luz através do
aprendizado. Sim, Senhor, nenhum ser despreza o perfume das rosas devido aos
espinhos. Obrigado, Pai, agora eu enxergo, serei como a vela que necessita do
desgaste da parafina para permanecer iluminada. Agora entendo, Pai, o melhor
instrumento de transformação é o amor. Eu sei, parece utópico achar que amando
vamos transformar o outro, mas só de sentir esse amor em mim, sinto-me
transformada, melhor e feliz. Sim, Pai, eu vou, iluminada.
- Padre, me espere. Padre eu preciso de sua
benção...
Autores: Paula Barros e Eder Ribeiro