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Mostrando postagens de setembro, 2009

Figurante

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Os cabelos lisos moldando o rosto oval e pequeno, as sobrancelhas grossas, o nariz afilado, os lábios finos, as orelhas rente a cabeça, o pescoço longo, os olhos negros estavam todos refletidos no espelho, mas ele não se via. Aquele rascunho borrado tentando ganhar forma, por mais nítido que parecesse, não era ele. Preso as personagens que representava, sua vida foi um ato de erros contínuos, não que agora não fosse mais, pois por mais que errasse, pior não ficaria. Descaracterizado, ele não convencia nem a si, sem platéia e consequentemente sem ganhar pela sua atuação, sozinho, tornava-se invisível. A invisibilidade não o protegia, ao contrário, o deixava vulnerável aos seus fantasmas que de tão reais estavam sempre em cena contracenando com ele. Em estado permanente de demência, no palco da vida, era um péssimo ator. A linha que separava a lucidez da loucura era curta, e ele sempre a ultrapassava. Somente é normal aquele que reconhece a sua loucura, ele não reconhecia a sua. Percebe...

Fronteira final

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Ao entrar na casa a encontrei sentada de costas para mim com a bíblia na mão balbuciando, “Ore, ele vai chegar”. Gotas ininterruptas jorravam dos meus dedos, eu já havia perdido o dedo mínimo, o médio estava pela metade se transformando em líquido, logo eu seria uma poça de água se infiltrando na terra, desapareceria sem deixar um túmulo, como todos os outros. Meu tempo havia acabado. 24 HORAS ANTES. Seu corpo leitoso, nu, sobre a cama ganhava a forma do número perfeito, curvas sem desalinho, sem erro de geometria, com exatidão matemática, banhadas pelos raios dourados matinais do sol lhe dava uma aura divina. Ela descansava, eu, na sala, após uma noite em claro gozando o prazer carnal, fumava assistindo tv. “O governo alerta a população para uma doença desconhecida... Eu dei pouca importância ao noticiário, Voltei os meus olhos em direção ao quarto para, mais uma vez, admirar as curvas do seu corpo, mas ela não se encontrava na cama. Deduzi que ela estava na cozinha, “Quero o meu ...