Lá onde o mar se acaba
imagem clique aqui Quando Cláudio, enfim, sentou na areia da praia, estava exausto. O pranto havia secado, mas por dentro as lágrimas eram intermináveis. Em qualquer direção que olhasse suas pegadas, pelo vento, foram apagadas. Olhar pra trás, para quê? Se todo o seu passado carregava na cor cinza a matiz da tristeza advinda das perdas, e seu futuro era senão um mar de chumbo que o levaria de encontro àqueles que ele perdeu. Sentado no banco do bar, um copo com pinga em suas mãos, ele via o reflexo distorcido da sua imagem disforme, e não diferia da imagem que os outros viam em seu rosto. À vida ele não passava de um estorvo. Era o que ele era. Bebeu de uma só vez o copo com pinga, tentou puxar dos olhos um filete de lágrimas, estava seco, todos os seus sentimentos eram áridos. Não tinha pena de si, não culpava Deus por seu infortúnio. Acreditava que tudo que lhe acon...