Compondo um cenário para a imagem poética de Paula Barros
A ansiedade feminina do ponteiro dos segundos atropela a mansidão do ponteiro dos minutos acelerando o tempo. O tempo voa, os meus passos não conseguem mais acompanhar o ponteiro das horas. Sentado no meio fio, sinto saudades dos bancos da praça, do coreto com a banda tocando a nossa canção, dos ipês roxos e amarelos que atraem os pássaros, e estes compunham sinfonias jobinianas para a beleza de suas flores, das crianças se arriscando nos carrinhos de rolimãs enquanto idosos entrelaçavam os seus dedos rememorando os tempos idos, diferente dos jovens que viviam apaixonados o seu próprio tempo. Os bancos quebrados, o coreto há muito tempo era uma lembrança em uma fotografia envelhecida, a praça envolta em lixo, a batida do funk fazendo apologia ao sexo, ao crime e as drogas ecoando pelas ruas, as crianças envoltas na fumaça da maconha se perdendo dos sonhos que evolam entre monstros imaginários, os jovens se descobrindo sob lençóis em quartos escuros com ...