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Por onde anda

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DIZEM QUE ESTÁ ESCONDIDO AQUI

Geração insensível

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Deixamos de fazer história e passamos a ser telespectadores da vida. O tempo e o espaço agora são pequenos devido à nossa inação. Importamo-nos mais com a linha do tempo feicibuquiana, curtindo e compartilhando fatos que, por si só, não fazem parte da história, pois isso é uma ação de mero telespectador, do que com o que o outro diz ou faz, sem uma discussão saudável sobre os fatos. Aqui e ali, pipoca o ódio ao deputado condenado por requerer atendimento médico, mesmo sendo comprovado por uma junta médica que ele necessita desse atendimento. Alegam que presos comuns passam por situações piores ou que, nos hospitais públicos, doentes são esquecidos nos corredores, sem atendimento. A partir do momento em que nivelamos por baixo, deixamos de lutar pela igualdade de direitos, ou seja, para que todos os presos tenham o mesmo tratamento humanitário, independentemente de sua condição social perante a lei estabelecida. Ao negarmos ao deputado o direito de ser atendido, deixamos de ser hum...

Cosedura

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   Não sei se é  a vida que costura parte de nós para formar o todo ou se são pessoas de nosso convívio que alinhavam essas partes para que possamos  dar o acabamento. Creio na segunda afirmativa,   assim, a peça toda, com defeito ou não,   será   fruto de nossa   costura.      Foi na opulência que o molde do meu todo foi forjado. Nessa época, o ter só meu deu agulha e linha para a costura, mas foi a solidariedade dos meus pais que guiaram as minhas mãos para a cosedura. Após sair da opulência, perdendo a agulha e a linha, a costura continuou   sendo   feita baseada na   mesma   solidariedade.      Minha mãe, que nunca havia trabalhado, tendo uma empregada doméstica e uma babá, se viu - após a falência do meu pai - obrigada a   uma dupla jornada   exercendo   a profissão de costureira para ajudar no orçamento familiar   e   cuidando dos   afazeres domésticos. ...

Herói sem livro

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   Fui introduzido na leitura pelo padeiro da panificadora do meu pai ainda na infância. Contumaz leitor de livros de bolso de   bang   e   bang, ele me mostrou um mundo onde   não se confundia os   vilões   com os   mocinhos e vice-versa, tão diferente   do mundo real por ser da   natureza   do homem a vilania e a hombridade no mesmo ser.      Costumo dizer que o meu pé não é de laranja lima, mas de amêndoas. Antes mesmo de conhecer as letras e o fascínio que elas exerceriam sobre mim, foi através da audição que um mundo fantástico foi me apresentando pelo meu avô.   Nas tardes quentes do verão baiano, ele trazia o seu tamborete de jacarandá com assento de couro de vaca, colocava-o sobre a sombra do pé de amêndoas em frente da panificadora do meu pai, chamava-me e pegando-me pelos braços, colocava-me em seu colo para em seguida me apresentar   personagem   cuja bondade incutiu em mim a c...

Sobre pratos e sob lençóis

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                                                      Imagem Getty images Eles formavam um casal que no século passado era chamado de par perfeito. Anelados há meio século, amam diferentes dos casais do século atual, com pudores e amores.  Ele engabelava-se tanto com o cozido de  sua esposa, carne suculenta servida em pratos da mais pura porcelana chinesa, mexida e remexida em talheres de prata, satisfazendo o seu paladar; quanto com outras partes de carne untadas em cremes importados, mexidas e remexidas sob lençóis lavados com fragrâncias florais, satisfazendo as suas concupiscências. Quer saber o final dessa história, clique AQUI , curta a minha página no Facebook, ou então curta a minha página no Google+ clicando  AQUI . Deixo também o link da minha página na Amazon Kindle para quem quiser adquirir os meu E-books, clique AQ...

Aquele quarto

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      Ninguém havia me falado qual era a linha que separava o sonho da realidade, porém, quando atravessei essa linha não estava preparado para sair de   uma   e entrar   na   outra.      Meu pai foi um grande fabricador de sonhos, aprendera com o meu avô a arte de fabricar barcos e   navegá-los pelos rios   Grande, São   Francisco   e   Preto   transportando mercadorias, contudo, foi quando aprendeu a arte da panificação que os sonhos se realizaram.    Vivíamos na casa dos sonhos, enorme, ia de uma rua a outra. Na Rua   Desembargador   Montenegro ficava a entrada da casa e na Rua paralela, Sete de Setembro,   ficava a entrada da fábrica de sonhos, a panificadora do meu pai. E existia um corredor enorme que ligava a casa a fabrica, aquele corredor, cujos rastros, meu e de meu pai, passados quarenta anos, ainda devem permanecer nele se ele ainda existir.   São passos...