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Mostrando postagens de junho, 2010

História

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Eu nunca fui afeito a tecnologia, considero-me um “intecnológico” inveterado, e olha que não é por falta de conhecimento, mas uma opção. Lembro-me de ter sido apresentado a uma máquina de datilografar Remington, em 1972, um monstro para a época, e, por imposição do meu pai, sempre severo na educação dos filhos, fui obrigado a aprender usá-la, apesar dos meus minguados oito anos. Aprendi, mas usá-la... Fui engolido pela máquina. Anos mais tarde ganhei uma Olivetti compacta laranja, e para desespero do meu pai, eu preferi o bom e usável papel e lápis. Anos sobre anos depois, eu comprei um celular com a intenção de usar o editor de texto para escrever do que o próprio telefone para telefonar, mas quase sempre as mãos, ao digitar, não acompanhavam o pensamento, então, o bom e usável papel e, agora, caneta permaneceram para o celular ter um uso mais apropriado, como despertador e relógio. Como o avanço tecnológico, o celular adquiriu tantas utilidades que usá-lo para receber e fazer chamad...

Desatino de um nordestino

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      Quando eu saí de Brasília com o meu cabelo a lá Pepeu Gomes, ainda tinha muito da minha baianidade, pois Brasília, com os seus dezesseis anos, procurava uma identidade e pouco importava se você era baiano, mineiro, carioca ou gaúcho, acolhia-o como seu.     Antes que alguém se pergunte quem é esse tal de Pepeu Gomes, explico, é um cantor baiano, cuja música de maior sucesso tem esses versos, “se deus é menino e menina, sou masculino e feminino...”; portanto, provavelmente, essa música deve ter sido composta em sua homenagem, não que ele fosse deus, mas como aquele cabelo liso e comprido abaixo dos ombros, ele estava mais para menina, mesmo sendo menino. Concluindo, eu tal qual ele cagado e cuspido, lógico, sem a sua fama.    Quando cheguei a São Paulo com o meu cabelo a lá Pepeu Gomes, as pessoas colocavam uns olhos sobre mim como se buscassem uma identidade, um gênero específico, e isso me aborrecia, pois quando se nasce no sertão,...

Papagaiando entre búfalos

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É sabido que em época de copa do mundo os brasileiros tornam o verde mais verde, o azul mais azul, o amarelo mais amarelo e o branco, na possibilidade de ser por ser branco, mais branco. E vestem estas cores com tanto entusiasmo que os vemos passarinhando pelas ruas talmente papagaios. Porém, em dia de jogo do Brasil se assemelham a uma manada de búfalos caçando ou sendo caçado, ou seja, atropelam o quem veem pela frente para assistirem vinte e dois marmanjos correrem atrás de uma bola para enviarem na meta um do outro. A ordem e o progresso, nessa hora, tanto quanto a educação, não é meta. Por isso este blog se veste de brasileiro, tentando ser mais papagaio e menos búfalo. Não sei quem cunhou a frase: São Paulo não para; provavelmente, quando a fez não tinha carro, ou então o crédito para ter um não era tão fácil como é hoje, onde se compra um talmente móveis nas Casas Bahia, em suaves prestações a perder de vista. Por isso não me arrisco a sair de carro, em São Paulo, em dias úteis...

Meu jeito de dizer que te amo

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   Criado entre mulheres, eu sempre tive meu pai como referência. Na infância foi maravilhoso, pois todo pai é um herói para o filho. Na adolescência foi o meu inferno, pois de herói, o pai passou a ser o bandido, e num processo de afirmação, passei a ir de encontro a tudo que ele acreditava, a tudo que ele era. Sem saber, eu me sentia sozinho; quando fui perceber, eu já era “balzaquiano”, tinha passado dos trinta, solteiro e solitário.    Com todas as irmãs casando, a casa foi ficando vazia, eu mais ainda. Vindo de relações frustradas com mulheres casadas, eu prometi a mim mesmo que não casaria, muito menos, amaria.    Em 1996 o sistema público de transporte na cidade de São Paulo estava um caos, principalmente nas áreas periféricas. Os clandestinos, como eram chamados os perueiros, tomavam conta de ruas e avenidas, transportando as pessoas, devido à incapacidade da prefeitura de administrar o transporte público. Quem era transportado no banco traseiro ...

Herança

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Ela arrastou o filho evitando pisar no gramado em volta da trilha calçada com ladrilho português. Ajeitou-o no banco traseiro do Hilux pedindo que afivelasse o cinto. Voltou para dentro de casa sem perceber que havia pisado no gramado. Saiu, novamente, trazendo nas mãos os sacos de lixo separados para reciclagem na noite anterior e os acondicionaram em seus respectivos contêineres. Retirou da bolsa a tiracolo Louis Vuitton um frasco de álcool em gel – hábito adquirido depois da primeira pandemia da gripe suína -, e fez a higienização das mãos ali mesmo, na rua. Já dentro do carro, através do controle remoto, lacrou todas as portas da casa acionando o sistema eletrônico de vigilância, e, cantando os pneus, saiu costurando as ruas, ziguezagueando entre os carros, como se assim recuperaria o tempo perdido nos afazeres. O suor porejava do seu rosto e se misturava na água lodosa que corria pela sarjeta. Monstros inauditos povoavam o seu corpo, intrinsecamente, comendo os seus órgãos. O ma...