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Mostrando postagens de dezembro, 2011

Um presente de Natal

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   Houve um tempo, uma criança sabia que seu mundo iniciava nas margens do rio São Francisco e se encerrava na linha do horizonte entre o rio e o céu. Houve ele, ainda pequeno, de ganhar um presente. Os presenteadores, seus pais, lhe ensinaram que quanto mais ele o usasse mais valor dava a si e mais valorizado se tornava o presente. E assim ele fez durante os primeiros doze anos de sua vida.    Houve de o tempo passar, e a criança se tornou adolescente. Seus pais, querendo que ele soubesse mais, atravessaram a linha do horizonte e ele soube coisas do outro mundo. Luzes, cores e sabores tinham outros significados. A aceleração diária neste novo mundo tornou os dias mais curtos, os meses menos demorados e o passar dos anos imperceptível. Então, ele deixou de usar o presente de criança e perdeu valores.     Tendo esse novo mundo como espelho ele se tornou ignorante.   Porém já homem feito, soube que ignorância não é falta de saber, mas...

Depois - Parte final

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   Pedro estacionou o carro em cima da calçada, sabia que estava errado, contudo, a pressa não lhe permitia outra ação senão essa. Ele retirou dois sacos de sessenta quilos do porta-malas do carro e colocou na garagem do salão de distribuição de sopa, em seguida saiu em disparada, sendo observado por Salvador. Voltou meia hora depois com duas caixas pequenas e as colocaram próximas dos sacos.    - Pedro, posso saber o que se passa. Não me diga que vai tirar Jesus da cruz com toda essa pressa. - Salvador disse entre risos.   - Não. - Pedro disse sorrindo, também. - Recolhi alguns sonhos nas padarias do bairro e algumas latas de doce de leite de alguns supermercados.    - E o que pretende com isso, aqui só distribuímos sopa. Você sabe disso.    - Sei, Salvador. Vou distribuí-los na rua para os famintos.    - Pedro, depois de vinte anos, você ainda me surpreende. Isso é bom. Precisa de ajuda?    - Desculpa, irmão, quero fa...

Depois - 5ª Parte

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   - O que você fez? - Pedro disse, nervoso, agitando os braços.    - Calma irmão, eu que lhe pergunto o que você queria fazer. - Salvador disse, sereno.    - O que você pensa que eu queria? É um ignorante? Estava tentando me matar, não percebeu? - A exacerbação das palavras era exagerada na boca de Pedro.    - Não só a você. O que intentava com isso? - Salvador mantinha a calma, pois percebera que aquele homem estava sofrendo.    - Eliminar o meu sofrimento, a minha dor. - Mais calmo na resposta, as palavras saíram chorosas, e os olhos de Pedro se perderam longe se procurando.    - E você pensa que a morte elimina a sua dor. Ela não encerra com a morte do corpo, estará sempre com você, na tua alma, e essa, por mais que você morra e renasça, sempre estará contigo...    - Vá à merda. Não me venha doutrinar com a tua religião, daqui a pouco me convidará para ir para a tua igreja e dirá que lá eu serei salvo. É o que e...

Depois - 4ª Parte

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DEZ ANOS DEPOIS    Havia dez anos que Angélica havia morrido, Pedro estava para completar vinte e cinco anos. Durante todo este tempo ele se entregou a tristeza, a dor da perda tecia em seu coração elos difíceis de serem desembaraçados. No início do seu sofrimento, ele procurou alívio na bebida, depois, achou a tranquilidade ao fumar maconha e por fim a cocaína retirou qualquer sentimento de dor, ele estava fora de si. Todas as tardes, ele sentava no toco da árvore que o caminhão havia se chocado. Tentou por várias vezes ressuscitá-la, porém a morte encerrava qualquer tentativa de revida. Ele mais morto estava, sentia isso. O alívio que as drogas davam era momentâneo, o depois era devastador. Sentado, ele pegava alguns pedregulhos na rua e jogava no ar, qual a sua intenção com isso ninguém sabia. Ele sabia, tentava matar os seus monstros, imaginários ou não, sabia que não conseguiria. E se se matasse, fez essa pergunta pela primeira e única vez.    Seu pai o acom...

Depois - 3ª Parte

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    O motorista do caminhão de lixo estava no fim do seu turno, ele iria entrar na última rua para coletar o lixo quando ao acionar os freios, as rodas não frenaram. Sem poder fazer a curva para entrar na rua devida, pois o caminhão tombaria, ele seguiu reto, ladeira abaixo. O motorista afivelou o cinto de segurança e começou a ciciar as suas orações. Estava sozinho, os garis haviam pulado quando percebeu que o caminhão não faria a curva. Ele não estava sozinho, suas orações foram ouvidas. A rua estava deserta, o sol surgia na linha do horizonte, adiante, ele viu uma árvore, era a luz que ele havia pedido a Deus. O aroma de pão fresco ele sentiu sendo trazido pelo vento. Era a rua da padaria.    O pai de Pedro estava assando a última fornada de pão, puxando a última fila de pão do forno com a espátula de madeira, quando Angélica tentou passar despercebida, pois não suportaria uma despedida, e seu Edson a notou.    - Angélica, ia sair sem se despedir?...