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Mostrando postagens de novembro, 2011

Depois - 2ª Parte

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   Angélica não esperou o pai de Pedro finalizar a frase e saiu correndo, dobrando a primeira esquina em direção à sua casa. Pedro que chegara ao fim da conversa saltou o balcão e a seguiu com os olhos. Ele havia se encantado ao deparar-se com tanta beleza, novamente. Emudecido e ensurdecido pelo encantamento, fechado em um mundo só dele, pensamentos envoltos em nuvens de algodão doce, provando do mel, Pedro não ouviu seu pai chamá-lo.    Noutro dia o pai de Pedro amanheceu ensimesmado com a previsão de Angélica, mais ainda por ela saber que ele tinha um filho chamado Pedro. Como? - Perguntou-se.    Pedro já se encontrava na padaria, antes mesmo de seu pai descerrar as portas ao público, sentado no banco, esperando Angélica. Desde a primeira vez que a viu na escola, ele sentira algo muito forte, até aquele momento incompreensível. Quando ela entrou na padaria, o seu coração disparou. Inquieto, ele desassossegou no banco.    - Tá com comichão, Ped...

Depois - 1ª Parte

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   - Você realmente voltou, veio me buscar como havia prometido.    - Sim, Pepito. Eu lhe disse que sempre há um depois. Vem meu amor, me acompanha. SESSENTA ANOS ANTES.    O pai de Pedro, devido a sua profissão, conhecia todos na cidade, peculiarmente. Por isso se algum estranho aparecesse na cidade, ele logo percebia e se interava sobre o mesmo.    - Bom dia seu Edson! Quero dois reais de pão.    Aquela voz melíflua, os seus ouvidos acusaram como estranha, aguçando a sua curiosidade e o fazendo debruçar rapidamente sobre o balcão para saber de quem se tratava. Quando viu que era uma criança, ele estranhou o seu discernimento e a capacidade de comunicação sem atropelos de palavras e uma dicção de causar inveja a qualquer adulto.    - Meu anjo, como sabe que me chamo Edson?    - Está escrito no letreiro, Padaria do seu Edson. Como ninguém colocaria o nome de padaria em uma pessoa, você só pode se chamar de Seu Edso...

PS: Urgência médica

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Sempre ouvira do meu pai que a fé remove montanhas, como até hoje as montanhas que tive que ultrapassar não passava da altura de minhas pernas, não tive que ter fé para ultrapassá-la, bastou-me pulá-las. Não sou uma pessoa dada à oração, pois não rezo para nenhum santo por achar que humano algum é bom o suficiente para ser santificado, nem tão pouco acredito em Deus, pois se o deus da medicina é a ciência, da economia é o mercado, da computação é o Bill Gates e o da política é a prostituição, porque justo eu tenho que rezar para um Deus único, então rezo para a ciência, afinal como médico é ela, a ciência, que faz com que curo e salvo vidas. Meu dia seria um dia de cão, pois minha secretária havia faltado por recomendação do seu pai de santo que a proibia de sair de casa numa sexta-feira treze. E hoje além de ser sexta-feira treze, era uma sexta-feira do mês de Agosto. Quanto a isto já havia acostumado e aceitava, afinal ela é muita prestativa. O que eu não aceitava era ela ter leva...

Violência urbana

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   Maria fazia, como todos os dias, antes de sair de casa, sua oração ajoelhada em frente do oratório. Tendo Santa Rita de Cássia como protetora, ela perdera a esperança no ser humano, mas não na vida, mesmo sabendo ser difícil desassociar uma coisa da outra. Muito cedo perdera o marido atacado por cirrose hepática. Sozinha, ela criara os três filhos e por deixá-los a sós, para trabalhar, os perdera para o crime. Bola era o único filho vivo, mas havia dez anos que não o via, desde que ele fugira de casa.    Ao sair de casa, Maria se benze fazendo o sinal da cruz e beijando a medalha de Santa Rita que traz sempre consigo. Ela se dirige ao ponto para tomar o ônibus que a levará a Rua Cascalho.                   Rua Cascalho cedo da manhã. O silêncio imperava. De vez em quando se ouvia o vento que trazia um pouco de umidade. Amanhecia seco. Do nada surge um carro em alta velocidade. O bar...

Cuidado com o que pede a Deus, senão adeus

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     Diz o dito popular que a curiosidade matou o gato, mas cá pra nós, se não fosse a curiosidade, não a do gato é lógico, mas sim a do homem, hoje estaríamos a cozinhar em forno a lenha, a escrever em pedras e a ler e comer com o lume da candeia, e indo mais longe, repito, se não fosse a curiosidade humana em saber de onde viemos e para onde vamos, a saber, não teríamos descoberto Deus, pois de nós ele há muito tempo sabia, afinal tudo que é havido e tido é por obra dele.      Nós escritores temos a curiosidade no sangue, pois de onde tiraríamos as personagens senão curiando os outros, afinal escrever é cochichar por palavras a vida dos outros. Outro dito popular diz que quem cochicha o rabo espicha. Como a curiosidade é sempiterna em relação aos outros, quer entre escritores ou não, nunca reparei o quanto espichado se encontra o meu rabo, se ele em mim houver.      Por isso, nobre leitor, o convido a espichar o pescoç...

Vindo à luz - Final

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    Pesadelos? Visões? Delírios alcoólicos? Quanto mais pergunta fazia a si, mais acelerado girava a sala, mormente se era sobre o ocorrido ali; contudo ao aquiescer os seus pensamentos, a sala parou de girar, e ele tomou o seu caminho.     Desolado pelas vidas perdidas, o médico junta as palmas das mãos, encosta as pontas dos dedos indicadores nos lábios, descerra os olhos, pede o desfibrilador e o usa mais uma vez. A descarga elétrica no tórax da quarta vítima faz com que o seu corpo erga-se alguns milímetros e desaba em seguida na maca.     Com o olhar consternado, no aparelho que mede os batimentos cardíacos, o médico vê no monitor a linha que seguia reta dar um salto, subindo e descendo ininterruptamente. A vida havia tomado o caminho de volta àquele corpo.     A inquietude não o atacava quando estava nervoso, nem lhe tirava o discernimento para o julgamento, mesmo que fosse somente a tristeza que ele carregava nos olho...

Vindo à luz - 2ª parte

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   Em volta da mesa, no chão, garrafas e mais garrafas vazias, sobre ela, quatro copos com espumas transbordando pelas bordas, e, em direção aos copos, quatros mãos que os suspendem no ar brindando a chegada da filha de um deles. A alegria era extremada, incontida e alcoólica. Ali, a alegria era individual, cada um estrangeiro em si não se reconhecia. Nada mais humano do que propor um desafio, ultrapassar os seus limites, como se, alcoólicos, já não os tivessem ultrapassado. A comemoração pela chegada da filha de um deles ficou em segundo plano.      Quarenta, sessenta, oitenta; os batimentos cardíacos foram subindo de acordo com o aumento da adrenalina provocado pela alta velocidade dos carros, pelo desafio proposto, pela sensação de não haver limites intransponíveis. Noventa, cem; o indicador do velocímetro dos carros encaminhavam-se, lestamente, para a direita; nos olhos de cada um o sentimento de vitória. Cento e cinquenta, duzentos, duzentos cinquent...

Vindo à luz - 1ª parte

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“Perdoamos uma criança com medo do escuro. A grande tragédia da vida é o homem ter medo da luz – Platão”      Após o nascimento de sua primeira filha, ele havia sido tomado por uma alegria desmesurada e incontida de tal forma que somente havia uma maneira de extravasá-la, bebendo cerveja. E ele bebeu como se seu corpo estivesse sequioso.      Prostrado na cadeira com a cabeça e os braços arcados para trás tentando revelar com a mente o que os olhos filmam e não conseguindo por a mesma estar entorpecida, e, também, em razão de o ambiente estar na penumbra devido à luminosidade vindo de fora entrar, somente, pelas frestas do que parecia ser janelas e portas, - sabendo-se que a visão precisa da luz para enxergar tanto quanto o fogo precisa do oxigênio para inflamar – ele, em volta de si cercado por garrafas vazias de cervejas, – não que as tivesse visto, mas sim as sentido com os pés, pois não é apenas com os olhos que se enxerga, porém com todos ...