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Mostrando postagens de maio, 2012

A vida me ensina III

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Diferente da minha mãe que tinha o hábito de guardar qualquer coisa que lhe remetesse ao passado, eu me desfazia de tudo para não lembrar quem eu fora.     Sabedora disso, eu estranhei quando ela me deu uma camisa que eu usei quando tinha, aproximadamente, doze anos. Nessa época eu estava com trinta e três anos. A camisa, devido ao seu zelo, parecia não ter sofrido com a passagem do tempo, estava impecável, o mesmo não poderia dizer de mim. Não lhe perguntei o motivo de estar me dando o souvenir, porém, as lágrimas derramadas por ela deveriam ter algum, contudo, não lhe perguntei. Eu estava me casando, não sei se para ela, saindo de casa.    Os pais sabem, quando os filhos casam, os vão perdendo aos poucos, não para os respectivos maridos e esposas, mas para a nova família que se estar formando. Mal sabem dos ganhos que terão.    Anos mais tarde, revolvendo o meu "baú", percebi que além da camisa que ela havia me dado, também havia trazido ...

A vida me ensina II

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   Se fôssemos retroceder no tempo para acharmos o fio da meada que deu início a nossa vida, nos deteríamos na primeira lembrança.    Não sei precisar a minha idade nessa época, deveria ter entre três e quatro anos, porém, recordo muito bem a minha mãe me levar para as suas aulas de francês e latim. Já adulto, eu lhe perguntei por que ela me levava, então, ela me disse que sempre gostou da minha companhia e fez disso uma constância em sua vida, sendo mais minha companheira do que eu dela.    Ela estava lá quando consegui o meu primeiro emprego; quando ao mudarmos de bairro me levou ao ponto de ônibus pela primeira vez; quando perdi o meu primeiro amor, ao invés de enxugar as minhas lágrimas, foi atrás desse amor ao meu pedido e o trouxe para eu perdê-lo em seguida e depois ofereceu o seu colo para eu afogar as minhas tristezas; quando eu casei, com afinco e dedicações, bordou o vestido da minha noiva, apesar da idade avançada. Se eu fosse descreve...

Gênesis, segundo Eder Ribeiro

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     Na vida como na morte a mentira e a verdade são ligadas por uma linha imaginária, que dependendo da tua crença faz você pender, ou, então mais precisamente, usando a palavra certa, crer em uma ou na outra, assim o que parece ser uma mentira pode ser verdade e vice-versa. Sabendo disso de antemão, é sabido, havido e tido que o homem descende do barro, ou seja, foi forjado no barro. Crido, o mito se tornou verdade, mas há aqueles que crêem que o homem evolui do macaco. Caído do galho o macaco se atolou na lama e em passos curtos se transformou em homem. Desmancha-se o barro para a ciência criar o seu mito. Mas permanece uma interrogação: e o macaco de que foi feito? Como todo ser vivente que habita a terra, o macaco foi feito do barro, portanto entre o homem e o macaco a única semelhança é a do material utilizado para sua forja, com um pequeno detalhe, de todos os habitantes da terra, apenas, isso mesmo, apenas o homem teve seu feitio de um barro diferente....

Rejeição

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        Parte Final    Ao colocar os pés na sala, percebi que os meus passos não seriam os mesmos por eu, também, não ser mais o mesmo. Foi aí que percebi que tudo era falso, aquela casa, melhor dizendo, aquele lar foi a maneira de me esconder, de não enfrentar a minha condição homossexual, de aceitar a condição heterossexual que a minha família queria para mim, que a sociedade, consciente ou inconsciente, exigia de mim.    O seu abraço mudara de significado, o seu beijo não tinha mais o mesmo apelo, a voz, antes melíflua, agora se tornou acre e irritante. Tudo se tornou rotineiro, a sua disposição de desfazer o nó da gravata enquanto me falava do último livro do Paulo Coelho e dos ensinamentos que aprendera; de me assistir tomando banho enquanto comia a fruta da época dizendo dos benefícios que ela fazia ao assistir a reportagem no programa Fantástico, da Rede Globo; de se colocar na mesa com um sorriso outrora cativante ...

Rejeição

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        Parte I            O frio metálico dentro do ônibus não me atingia. Sinceramente, eu era indiferente a indiferença, talmente o camaleão, adaptava-me ao ambiente em que me encontrava sem demonstrar o meu processo de mutação. Por isso, quando ele tocou em minhas mãos, no primeiro instante, impulsivamente, e depois, insuflado pela rejeição, eu pensei em retraí-las do encosto do assento e colocá-las na barra superior do ônibus, própria para o equilibro de todos os passageiros. Não fiz. O calor nas palmas de suas mãos entrou pelos poros das minhas e atingiu um ponto em que somos despertados para a libido. O correto era ter me perguntado o que estava me acontecendo. Não fiz isso. Outra pessoa em mim, da qual não conhecia, estava se revelando. Ou, ela já estava em mim, melhor dizendo, ela sou eu e durante todos esses vinte e cinco anos de existência a rejeitei com uma couraça camaleônica, sendo vários par...