A vida me ensina III
Diferente da minha mãe que tinha o hábito de guardar qualquer coisa que lhe remetesse ao passado, eu me desfazia de tudo para não lembrar quem eu fora. Sabedora disso, eu estranhei quando ela me deu uma camisa que eu usei quando tinha, aproximadamente, doze anos. Nessa época eu estava com trinta e três anos. A camisa, devido ao seu zelo, parecia não ter sofrido com a passagem do tempo, estava impecável, o mesmo não poderia dizer de mim. Não lhe perguntei o motivo de estar me dando o souvenir, porém, as lágrimas derramadas por ela deveriam ter algum, contudo, não lhe perguntei. Eu estava me casando, não sei se para ela, saindo de casa. Os pais sabem, quando os filhos casam, os vão perdendo aos poucos, não para os respectivos maridos e esposas, mas para a nova família que se estar formando. Mal sabem dos ganhos que terão. Anos mais tarde, revolvendo o meu "baú", percebi que além da camisa que ela havia me dado, também havia trazido ...