Essa é a triste história do homem que se achava perfeito e estava em uma busca desenfreada pela mulher perfeita. Ele andava de balada em balada, de igreja em igreja, percorrendo pelas coisas mundanas e santas, até que a voz da consciência lhe disse:
“Você está procurando nos lugares errados. Procure no Paraíso”.
Então, ele embarcou na estação Butantã do metrô, em São Paulo, desceu na Luz, iluminado, fez baldeação embarcando em direção ao Paraíso.
Ao chegar lá, ele, ao invés de escolher a Eva, preferiu ficar com a cobra. Novamente a voz da consciência lhe disse:
“Saiba escolha, se era para levar a copia, fez bem em levar a original”.
Feliz, ele não esperou ser expulso e saiu do Paraíso, de metrô, com destino a Luz e de lá baldeou, abraçado a sua cobra, com destino ao Butantã.
Este texto tem um endereço certo. É para minha amiga Andréia que não permite o seu namorado sair para bebemorar com os amigos.
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Os pensamentos, as experiências de vidas relatadas das minhas personagens não são reflexos dos meus pensamentos e experiências, mas sim, peças do mosaico que forma o ser humano. Os meus textos não intentam a polêmica, mas nos chamar à reflexão. Deixo o meu email para quem quiser trocar ideias, compartilhar textos e interagir: gotasdeprosias@gmail.com
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Confissão
CAPÍTULO III
Como eu escapei? Hoje, quando eles estavam
fazendo as sevícias em meu corpo, minha mãe passou mal e o Demônio teve que
socorrê-la, na pressa esqueceram-se de me prender no porão. Sim, Padre, durante
vinte anos, eu vivi preso dentro de um porão, só saía de lá quando eles queriam
aquilo. Como eu tenho o conhecimento de Deus? Estranho a sua pergunta, Padre.
Não há necessidade do conhecimento para sentir Deus, pois antes mesmo de
existirmos, a Sua presença já era sentida, além do mais, Padre, o medo e a dor
me levou até Ele. Padre, posso lhe pedir um favor? Feche os olhos e imagine que
o mundo não exista, que não exista nada. Pensou? Agora me responda o que você
ver? Está vendo, Padre, antes de qualquer existência, você sente Deus. Essa
mesma pergunta feita para uma pessoa sem fé, ela sentirá a escuridão, o vazio,
o nada. Então, Padre, não precisamos de conhecimento para sentir Deus,
precisamos apenas de fé.
Não, Padre, eu ainda não terminei. Não matei
o Demônio em mim. Padre, vou lhe pedir perdão. Qual meu outro pecado? Ainda não
o cometi. Vou cometê-lo agora. Perdoa, padre. Seja misericordioso. Que minha
alma descanse nos braços do meu Pai.
Meu Bispo, quero o seu perdão. Falhei na
minha missão e me deixei levar pelas vontades. Eu sei, meu Bispo, o controle
das vontades nos aproxima de Deus. Sim, vou lhe contar o que aconteceu.
Quando ele me disse para ser misericordioso
e pediu o meu perdão para um pecado que ainda não havia praticado, eu nunca
pensei que ele puxaria uma faca e a cravaria no seu próprio peito. Agonizando,
ele se arrastou ao meu encontrou, abraçou-me e tartamudeou em meus ouvidos que
havia matado o demônio dentro dele, mas ele continuava vivo lá fora. Disse-me o
seu endereço e ciciou antes de morrer, mate-o, Padre, é seu dever eliminar o
Demônio. Repousei o seu corpo na cadeira e então me dei conta do que havia
acontecido. Minha estola roxa estava impregnada de sangue, alguns respingos de
sangue manchavam a minha batina. Olhei para a imagem do Cristo no altar e
percebi os seus olhos desesperançosos. Uma pergunta não se cala na minha mente:
Será que no dia da Sua crucificação Ele também não tinha os mesmo olhos que eu
percebi na Sua imagem?
Não sei, meu Bispo. Essa é outra pergunta
que me faço e não tenho respostas. Talvez, devido à truculência da polícia,
achando que ela chegaria lá atirando e depois interrogando. Talvez por
curiosidade eu mesmo fui lá.
A casa era comum, tinha uma amendoeira na
porta. Na parede da garagem havia uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida. Uma
senhora apareceu na porta antes mesmo de eu tocar a campainha. Em suas mãos
havia um Rosário, seus dedos giravam uma das contas... Sim, meu Bispo, João
Paulo II dizia que o Rosário é o compêndio da Bíblia. Ela me disse que estava
nos Mistérios dolorosos. Seu rosto denotava um cansaço doentio, seus olhos uma
tristeza infinita, contudo, eram benevolentes. Eu sei, meu Bispo, o corpo
escamoteia as máculas da alma, eu sei disso. Ela me pediu para entrar e que
aguardasse no sofá enquanto terminasse de rezar o Rosário. Antes de sentar
perquiri com os olhos a casa e não vi nenhuma escada que poderia levar ao
porão. Havia apenas a sala, cozinha, banheiro e o quarto que estava com a porta
fechada.
Não, meu Bispo, ele chegou alguns minutos
depois, trazendo uma sacola que depositou próxima a porta do quarto e um
sorriso amabilíssimo. Seu rosto tinha traços fortes, mas olhos azuis
dulcíssimos. Ele deu um beijo na testa da esposa e depois pediu minha benção.
Sim, eu estava de batina. Serviu-se de duas taças de vinho e me convidou para
sentar no sofá. Colocou as duas taças na mesinha de centro, e, com os dedos,
empurrou uma das taças em minha direção sem me dirigi uma palavra. Levou a sua
taça a boca e com os olhos sobre a borda da mesma me analisou. Abaixou os olhos
em direção a outra taça e meneou a sobrancelha. Entendi o sinal e peguei a taça
bebendo um pouco do vinho. Repentinamente, ele se levantou, foi à cozinha,
pegou algo e depois tirou alguns objetos da sacola que ele havia trazido.
Depositando-os em cima da mesinha e sorrindo passou os dedos no fio da faca.
Pegou o fumo de rolo dentre os objetos depositados na mesinha e o cortou em
rodelas bem finas picando-as depois. Retirou de uma caixa com papel de seda
para enrolar cigarro da gaveta da escrivaninha uma folha, colocou-a na borda da
mesinha e com a palma da mão arrastou o fumo picado sobre a seda enrolando-a.
Passou a língua na borda da seda e com os dedos indicadores a fechou para, em
seguida, com o dedo polegar e indicador alisar o cigarro para certificar que
estava pronto. Por fim quebrou o silêncio me dizendo o que seria dos homens se
não fosse as mãos, pois com elas satisfaz os desejos da carne e também os da
alma ao orar aos céus a sua salvação. Disse-me ainda que as mãos dele só
serviam para satisfazer os desejos da carne, os da sua alma eram as mãos da
esposa que satisfaziam, como agora. Olhei para ela e vi a sua compenetração ao
rezar o Rosário, sem saber em qual Mistério ela estava, porém seu rosto
transparecia uma dor inaudita, como se ele estivesse mostrando as mazelas da
alma, ou então implorando salvação para essas mesmas mazelas. Quando ela
percebeu que eu estava olhando, as feições desapareceram, então, voltei-me para
ele. Surpreendendo-me, ele me fez uma pergunta que eu não estava preparado para
responder.
Continua
Capítulo I
Capítulo II
Capítulo IV
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