Quando a minha amiga Deia ofertou o selo “blogueiros por um mundo melhor - nós fazemos a diferença”, eu fiquei lisonjeado com o oferecimento e ao mesmo tempo feliz por ser bem quisto por ela, pois toda oferta é nato da bondade, e por ser dela, mais ainda. Posto isto, fiquei pensando em como discorrer sobre o assunto. Dormi, acordei, fiz minhas abjurações e a dúvida permanecia. Então fui me arrumar para trabalhar.
Estava lá no armário do banheiro desejoso para serem usados os cremes antirrugas, a tintura preto-azulada para as cãs, a tesoura para aparar os cabelos das axilas, a pinça para aparar as sobrancelhas, o barbeador para depilar o tórax e os cabelos das mãos e dedos, o creme umectante para todo o corpo, o óleo de amêndoas para os cotovelos e joelhos, os cremes para as mãos e os pés.
Conversando com uma amiga, ela me perguntou se eu acreditava em Deus, disse-lhe que mais o sentia dentro de mim do que propriamente acreditava, e se Deus é o bem, praticando a bondade, de alguma forma estaria dizendo que sim. Então ela me disse: “Quando você vai pôr este Deus para fora?”. Essa interrogação me assustou, pois se foi justamente para ela, ajudando-a que eu mais dei mostras da minha bondade, ou seja, pondo Deus para fora. Mas vocês devem estar se perguntado o que tem a ver com o assunto que eu deveria discorrer. Explicitar-me-ei.
Olhei-me no espelho e percebi que mesmo com todos os produtos usados, não tinha como apagar os vincos e as rugas do rosto, e nem tampouco as cãs, mesmo tintadas, elas voltariam depois de crescidas. Apegado a isso, eu me voltei para dentro de mim e lá encontrei Deus sentado em uma espreguiçadeira, assistindo o que parecia ser a minha vida passada. Então ele me disse apontando para a televisão: “Tudo fruto da tua ignorância. Tu pareces como uma casa nova, por fora, pintada em cores quentes, por dentro, sem mobília, não tem serventia para a morada. De que eu lhe valho se fico a maior parte do tempo aqui sentado nesta espreguiçadeira assistindo a tua ignorância”.
Eu poderia relatar aqui o que Deus chamou de ignorância, mas me atento a dizer que são pequenas atitudes, pequenos gestos, maus até, corriqueiros a cada um de nós, praticados no dia a dia; pouco valor nós damos a eles por pensá-los pequenos, porém, se nos víssemos praticando, perceberíamos as razões de tanta violência nos dias atuais. Deixo a critério de cada um se perguntar que atitudes são essas. Ao relatar o diálogo que tive com Deus, cada um saberão quais são. Por isso, atente.
“Mas Deus, são pequenas atitudes, más, mas pequenas”.
“O nascedouro da maldade está nas pequenas atitudes, pratique o bem no seu dia a dia que no fim das contas o amor vicejará nas grandes atitudes, naturalmente”.
“Como você chama isso?”.
“Nomes? A nomenclatura é uma invenção humana para saber, ou seja, adquirir conhecimento, mas nunca para se conhecer”.
“Não entendi”.
“Se eu lhe disser – apontando para uma cadeira – que aquilo é uma cadeira, tu sabes; mas tu somente vais conhecê-la se sentar”.
“Ah! sei. Isso é experimentação, experiência de vida”.
“Tu dás muita importância a nomenclatura, nomes é a coisificação do sentir”.
“Mas como saber se não nomeamos?”.
“Tu tens que entender que a nomeação em si não implica a pratica. Está vendo aquela senhora beijando o recém-nascido, ele não sabe que é amor, pois não conhece a língua; porém, ele conhece que é amor por senti-lo”.
“Então o segredo para um mundo melhor é praticando o amor nas pequenas atitudes, nos pequenos gestos”.
“Ok! eu me rendo a tu. Se tu queres nomear, que assim seja”.
“Amém!”.
“Sim, Eder, amem a todos, e espalhas isso e pões em pratica o sonho de um mundo melhor”.
Angela do Entremeios
Élcio do Verseiro
Carmem do Eu sei que vou te amar

