Os pensamentos, as experiências de vidas relatadas das minhas personagens não são reflexos dos meus pensamentos e experiências, mas sim, peças do mosaico que forma o ser humano. Os meus textos não intentam a polêmica, mas nos chamar à reflexão. Deixo o meu email para quem quiser trocar ideias, compartilhar textos e interagir: gotasdeprosias@gmail.com

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Conversando com Deus


   Quando a minha amiga Deia ofertou o selo “blogueiros por um mundo melhor -  nós fazemos a diferença”, eu fiquei lisonjeado com o oferecimento e ao mesmo tempo feliz por ser bem quisto por ela, pois toda oferta é nato da bondade, e por ser dela, mais ainda. Posto isto, fiquei pensando em como discorrer sobre o assunto. Dormi, acordei, fiz minhas abjurações e a dúvida permanecia. Então fui me arrumar para trabalhar.
   Estava lá no armário do banheiro desejoso para serem usados os cremes antirrugas, a tintura preto-azulada para as cãs, a tesoura para aparar os cabelos das axilas, a pinça para aparar as sobrancelhas, o barbeador para depilar o tórax e os cabelos das mãos e dedos, o creme umectante para todo o corpo, o óleo de amêndoas para os cotovelos e joelhos, os cremes para as mãos e os pés.
   Conversando com uma amiga, ela me perguntou se eu acreditava em Deus, disse-lhe que mais o sentia dentro de mim do que propriamente acreditava, e se Deus é o bem, praticando a bondade, de alguma forma estaria dizendo que sim. Então ela me disse: “Quando você vai pôr este Deus para fora?”. Essa interrogação me assustou, pois se foi justamente para ela, ajudando-a que eu mais dei mostras da minha bondade, ou seja, pondo Deus para fora. Mas vocês devem estar se perguntado o que tem a ver com o assunto que eu deveria discorrer. Explicitar-me-ei.
   Olhei-me no espelho e percebi que mesmo com todos os produtos usados, não tinha como apagar os vincos e as rugas do rosto, e nem tampouco as cãs, mesmo tintadas, elas voltariam depois de crescidas. Apegado a isso, eu me voltei para dentro de mim e lá encontrei Deus sentado em uma espreguiçadeira, assistindo o que parecia ser a minha vida passada. Então ele me disse apontando para a televisão: “Tudo fruto da tua ignorância. Tu pareces como uma casa nova, por fora, pintada em cores quentes, por dentro, sem mobília, não tem serventia para a morada. De que eu lhe valho se fico a maior parte do tempo aqui sentado nesta espreguiçadeira assistindo a tua ignorância”.
   Eu poderia relatar aqui o que Deus chamou de ignorância, mas me atento a dizer que são pequenas atitudes, pequenos gestos, maus até, corriqueiros a cada um de nós, praticados no dia a dia; pouco valor nós damos a eles por pensá-los pequenos, porém, se nos víssemos praticando, perceberíamos as razões de tanta violência nos dias atuais. Deixo a critério de cada um se perguntar que atitudes são essas. Ao relatar o diálogo que tive com Deus, cada um saberão quais são. Por isso, atente.
   “Mas Deus, são pequenas atitudes, más, mas pequenas”.
   “O nascedouro da maldade está nas pequenas atitudes, pratique o bem no seu dia a dia que no fim das contas o amor vicejará nas grandes atitudes, naturalmente”.
   “Como você chama isso?”.
   “Nomes? A nomenclatura é uma invenção humana para saber, ou seja, adquirir conhecimento, mas nunca para se conhecer”.
   “Não entendi”.
   “Se eu lhe disser – apontando para uma cadeira – que aquilo é uma cadeira, tu sabes; mas tu somente vais conhecê-la se sentar”.
   “Ah! sei. Isso é experimentação, experiência de vida”.
   “Tu dás muita importância a nomenclatura, nomes é a coisificação do sentir”.
   “Mas como saber se não nomeamos?”.
   “Tu tens que entender que a nomeação em si não implica a pratica. Está vendo aquela senhora beijando o recém-nascido, ele não sabe que é amor, pois não conhece a língua; porém, ele conhece que é amor por senti-lo”.
   “Então o segredo para um mundo melhor é praticando o amor nas pequenas atitudes, nos pequenos gestos”.
   “Ok! eu me rendo a tu. Se tu queres nomear, que assim seja”.
   “Amém!”.
   “Sim, Eder, amem a todos, e espalhas isso e pões em pratica o sonho de um mundo melhor”.


  
Indico para receberem esse selinho (à vontade se não quiserem levá-lo para o seu blog, ok?) os seguintes amigos blogueiros:
Angela do Entremeios
Élcio do Verseiro
Carmem do Eu sei que vou te amar
  


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Se eu fosse mulher...


   Se eu fosse mulher, não no sentido físico, mas sim no sentido anímico, perceberia a vida sem a inutilidade, necessariamente masculina, de ter para ser, ignorando o outro, não por desconhecê-lo, ma devido à ignorância ser a falta de capacidade humana de amar. Ah! se eu fosse...
   Seis irmãs e apenas um irmão, mais tias do que tios, muito mais primas do que primos, muito mais ainda amigas do que amigos. Por viver em meio feminino, eram por outros olhos que eu percebia a vida, e quando enxerguei assim, a vida me era melhor.
   Se eu fosse mulher, seria como a minha tia-avó Maria Nogueira que se doava aos outros mais do que a si própria. Lembro-me das férias passada em sua casa quando ela acordava na madrugada para pilar o arroz e fazer a farinha do mesmo para a massa de cuscuz cozida com coco, ou quando ela fazia o escaldado com café, farinha de mandioca e manteiga. Eu acordava cedo para assistir tudo isso, sobre o fogão de lenha, de cócoras, menino ainda, e pensava ter as mesmas atitudes, a mesma bondade, quando homem fosse. Ah! se eu tivesse...
   Se eu fosse mulher, seria como a minha tia Neuracy Malheiros que sempre me requisitava para passar as férias com ela. Lembro-me como ela absorvia as dores dos outros como se suas fossem, ora para aliviá-las, ora para ajudá-las a aliviá-las. Eu assistia tudo isso, adolescente ainda, e pensava ter as mesmas atitudes humanitárias, quando homem fosse. Ah! se eu tivesse...
   Se eu fosse mulher, seria como minha mãe, por perceber a vida como ela percebe, sem nada esperar, vivendo cada minuto como se fosse o último, doando-se ao outro por ser este modo de vida que lhe satisfaz. Ah! se isso me satisfizesse, seria como minha mãe. Ah! se eu pudesse...
   Seis irmãs e apenas um irmão, mais tias do que tios, muito mais primas do que primos, muito mais ainda amigas do que amigos. Assim, eu pude perceber a vida por olhos de mulheres. Quem dera, eu pudesse tê-los para sempre, não os tive. Porém, os meus olhos viram mulheres competirem com os homens por uma equidade maior, e sonharam que esses mesmos homens passariam a perceber a vida por olhos de mulher, mas deu-se o inverso. As mulheres passaram a perceber a vida por uma ótica masculina.
   Ah! Se eu fosse mulher, doaria os meus olhos para quem quisesse perceber a vida, sem a ignorância, tão humana, tão arraigada, tão moderna.