“O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente. Gênese 2,7”.
Como estou numa fase onde a inspiração me foge, como a ética sempre foge dos políticos brasileiros; sigo um conselho de uma amiga bacante que me disse que a inspiração está no sangue e para revivê-la bastasse tomar um bom vinho tinto que ela aflorava. Mas como não me dou bem com qualquer tipo de bebida alcoólica, o que me vem é uma dor de cabeça, como viria ao político se este reencontrasse a ética. Então quando estou nessa fase, recorro ao “cesto de Moises” onde guardo alguns contos do já falecido amigo Onairam Mesrede. Aqueles que leram o conto “A morte manda recado” conhecem o autor acima citado, e como sabem que a maioria dos seus contos são insólitos, publico outro intitulado “O dia da criação”. Sem mais delongas vamos a ele.
Quatro mil anos da era cristã a raça humana estava a caminho da sua extinção, buscando explicação para tal fato e tentando uma salvação foi criado um grupo de pesquisadores, e por pura sorte eles conseguiram achar o que seria o jardim do Éden, e encontraram o que seria uma placa de uma aeronave com um logotipo escrito “BR”. Aquilo intrigaram os pesquisadores, e após muitas pesquisas chegaram à conclusão que aquela sigla era de uma empresa petrolífera de um extinto país da América do Sul, país este que foi durante muito tempo a esperança de salvação para a raça humana por ser considerado o pulmão do mundo. Mas no começo do século vinte um, depois da morte do que seria o melhor presidente daquele país, por ter vindo da classe operária, viu-se que de pulmão do mundo, passou a ser o cu do mundo, apesar de sempre ter sido o cu-de-mãe-joana, devido a sua história; pois, primeiro os portugueses acharam este país e o foderam, depois chegaram os espanhóis, italiano, holandeses, japoneses, americanos e o foderam mais ainda; conclusão, qualquer estrangeiro que colocasse os pés naquele país, o fodia. Portanto dessa mistura fizeram a raça brasileira, e o que seria o seu mais nato representante, completou a cagada fodendo os seus habitantes e numa quixotada colaborou para a destruição do mundo. Alguém pode perguntar como uma raça com tanto sangue nobre poderia colaborar com a destruição do planeta. Bem, depois de pesquisar tanto, e diga-se que sem nenhum traço de preconceito, chegaram à conclusão que a mãe de toda aquela raça era nativa e prostituta; portanto qualquer filho da terra que chegasse ao poder era um verdadeiro filho da puta, e era por isso que no ano de dois mil e onze ao invés de mandar alguém para puta que pariu, passou a mandá-lo para o Brasil, que dá na mesma. Não é à-toa que os portugueses chegaram aqui primeiro. Depois dessa explanação vamos aos fatos. Como o último presidente deste país se considerava o melhor presidente e tudo que ele fazia era para o bem da humanidade, criou um consórcio com mais três países, Cuba, Venezuela e Bolívia para lançar uma tripulação ao espaço. O que parecia ser uma utopia se concretizou, o único momento em que o projeto parecia ir por água abaixo foi quando da escolha do combustível, pois como todo mundo sabia o presidente da puta que pariu, digo Brasil, queria a aeronave movida pelo mesmo combustível que o movia, ou seja, o álcool. Após muita discussão eles chegaram à conclusão que o melhor seria o “gásálcool”, uma mistura do gás boliviano com o álcool brasileiro. Criado a aeronave BR, ela foi ao espaço no dia 1 de abril do ano de 2009, mas antes dela ir ao espaço teve um imprevisto, pois o astronauta cubano fugiu pedindo asilo político; o astronauta venezuelano, a pedido do seu eterno presidente, tentava prender o cubano; e o astronauta boliviano com gases presos não pode ir ao espaço. Então foi ao espaço um autêntico filho da puta, digo da pátria, um brasileiro. Não sei se devido ao combustível, ou a um erro de projeto da aeronave, o último relato que este mandou para Alcântara foi de que ele não estava voando no espaço, mas sim no tempo e para o passado. Disseram as más línguas que o presidente do Brasil proferiu o que seria a sua melhor frase, e como seria lembrado o seu governo; “Que merda, tudo que faço anda para trás”. Os fatos que seguirão somente vieram ao conhecimento devido à exaustiva pesquisa de nossos pesquisadores, aonde eles chegaram à conclusão que foi devido a esta desventura quixotesca que o mundo começou a ser destruído. Segue o relato:
A aeronave que saiu do país de filha da puta, pilotado por um filho de mesma mãe retrocedeu no tempo chegando ao jardim do Éden no sexto dia, pousando em cima do barro no dia em que Deus estava criando o primeiro homem. Deus já tinha esculpido pés e pernas, tinha colocado as duas bolas do que seria o testículo e estava pensando se colocava a extensão do mesmo órgão, mas pensando se ao invés de usar a cabeça de cima, Adão não usaria, por ser homem, a cabeça do meio, Ele hesitava. Quando Ele vira para colocar o que seria o pênis, encontra o brasileiro todo enlameado. Os pesquisadores chegaram à conclusão que ele e Deus poderiam ter travado o dialogo abaixo:
- Adão, você já está pronto? – Pergunta Deus.
- Bem moço, estou pronto desde que minha mãe me pariu. – Respondeu o brasileiro que se chamava Adão da Silva.
- Que blasfêmia, isso deve ser coisa do diabo. – Retorquiu Deus.
- Não moço, isso aqui é coisa do presidente do Brasil. – Disse o brasileiro com toda simplicidade.
- Não tou falando, é coisa do diabo.
E assim Deus desistiu de fazer o primeiro homem, retirou toda inteligência do Adão da Silva e fez com que ele, para pagar pelo seu erro, vivesse daquele dia em diante pulando de galho em galho. E como era manhã e Deus ainda tinha todo o resto do dia, Ele resolveu destruir o jardim do Éden, que no futuro seria as Américas, com medo que o presidente da terra de filho da puta pudesse fazer uma cagada e destruísse o planeta. Mas como o diabo quando dorme só prega um olho, para vingar a destruição da terra que ela amava, terra esta que seria governada pelo seu filho, refez o jardim do Éden, a semelhança do inferno, que no futuro seria, no caso presente é, o planeta terra.
Chegado a esta conclusão, os cientistas rogaram suas preces ao céu pedindo a Deus perdão pelo erro do presidente da puta que pariu por ter interferido na feitura do homem. Deus, como tem a bondade como lema, perdoou o filho da puta e salvou o mundo, descansando no sétimo dia. O diabo, como nunca descansa, retirou o Adão da Silva do galho esquecendo-se de restituí-lo a inteligência e o mandou à terra para, encontrando uma mulher, fizesse um verdadeiro filho do Brasil.
Como se vê um dia os filhos da puta, ou seja, do Brasil, dominarão o mundo.
Os pensamentos, as experiências de vidas relatadas das minhas personagens não são reflexos dos meus pensamentos e experiências, mas sim, peças do mosaico que forma o ser humano. Os meus textos não intentam a polêmica, mas nos chamar à reflexão. Deixo o meu email para quem quiser trocar ideias, compartilhar textos e interagir: gotasdeprosias@gmail.com
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
De pirataria a cópia, o que é feio fica belo, macho vira fêmea
“Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrupção, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão” – Rubem Braga.
Ouvindo vozes, que alguns dizem que é do outro mundo, e outros dizem que é caminho para a loucura, resolvi ir numa seção espírita para tirar as dúvidas antes que algum louco queira me colocar camisa de força. Chegando lá recebi um mau espírito, um político brasileiro morto recentemente, e quando desincorporou me senti mais pobre, pois todo o meu salário que estava no meu bolso sumiu. O desgraçado quando entrou em mim, deve ter entrado pelo bolso. Ô classe ruim, nem mortos deixam de praticar política. Refeito do susto, ouvi de novo as vozes, era de Onairam Mesrede. Disse que do outro lado ele leu alguns comentários sobre seus contos e queria que eu publicasse os outros, afinal ele também queria fazer parte do seleto grupo das cem mil leituras, mas faz questão de ser lido por pessoas vivas. Deitando a língua nos dentes, ele me falou que este grupo dos cem mil só tem este número porque é lido pelos mortos, pois quem é vivo corre longe destes textos, afinal, dificilmente se ver qualidade neste grupo. Vou parar por aqui, pois com certeza dirão inferno dele, e como ele está no céu, não sou eu que advogarei ao seu favor. Vou logo a história antes que meus dedos começam a coçar e digito mais coisas que o Onairam disse do seleto grupo que se acha acima do mal e do bem.
Para ser famoso ou nascemos abastados, ou usamos meios escusos para alcançar a glória, pois neste país pouco se valoriza quem realmente tem valor. A valorização pela qualidade está tão fora de uso que o falso é vendido normalmente, e quem o compra, compra como falso apregoando que o verdadeiro é muito caro. Assim é com o combustível, medicamento, vestuário, cd, dvd e afins. Se for este valor que temos, qual valor daremos ao ser humano, pois a beleza está na superfície enquanto a miséria viceja na profundidade.
Cemmil Ainázia da Silva era tão feia que Quasímodo perto dela era um príncipe. Tudo nela era tão desproporcional que tanto de frente, costas ou de lado era a mesma coisa. Desafeiçoada, ela não tinha amigos, não conseguia trabalho, enfim era desprezada por todos. Por isso seu irmão, Luís Ainázia da Silva a sustentava com o dinheiro ganho com sua aposentadoria por invalidez. Metalúrgico, perdera um dedo na prensa, de propósito, para manter o sustento da sua irmã. Na época disseram que perdera metade do cérebro, se é lenda não sabemos. Enquanto Cemmil tinha a fealdade por fora, na superfície, ela tinha uma alma boa, toda sua beleza estava na profundidade. Mas como é pela aparência que julgamos uma pessoa, ela vivia sozinha, feliz a sua maneira, apesar da falta que uma companhia lhe fazia. Com toda beleza que Luís tinha, ele tinha a pior das fealdades, o desvio de caráter, a falta de ética, e uma cegueira exagerada, a de só enxergar defeitos nos outros.
Cemmil percebeu que para ser vista tinha que mudar por fora, pois por mais perfeita que fosse por dentro, era o seu rosto, bunda e peito que diria quem ela era, e por os ter defeituosos, pouco dizia de si. Mesmo tendo nascido com a bunda virada para o lado escuro da lua, ela jogou em todo tipo de jogo de azar, pois sabia que com dinheiro se conseguia poder para transformar-se, fazer uma cópia melhor de si.
Cemmil sabia que o dinheiro que leva ao poder pode apagar a estrela vermelha da esperança; e o operário da nova era que iria fazer do verde mais verde, do azul mais azul, do branco mais branco, do amarelo mais amarelo, tão amarelo que reluziria mais que o ouro, só conseguiu dar mais cor ao amarelo, mas a cor do ouro só ele viu. Foram as outras cores, a bandeira e se não abrirmos os olhos vai o país também. Cemmil assim percebeu que com dinheiro e poder tudo pode, até estragar o quê era belo.
A sorte sorriu para Cemmil e ela ganhou no jogo do bicho. Dinheiro em mãos ela se repaginou, fez mecânica, elétrica, funilaria e pintura. Colocou dois air-bags, um porta mala que cabia bugalhos, cará e alhos. Agora ela tinha conteúdo. Eu que sou fiel a princípios, não aceito traições, por isso também não traio. Sentindo-me atraído pela cópia da Cemmil, e com um pensamento em mente de que mulher para mim tem que ser natural, pois tudo que é artificial o gosto fica na superfície, segurei-me aos meus princípios. Como para ser mulher é necessário ter um borozão e dois peitões, Cemmil se enquadrando no perfil, foi para Televisão e lá fez sucesso, apesar de não saber se expressar, mas com os atributos corporais ela se expressava na linguagem que a maioria dos telespectadores entendia.
E quem achava que a história terminaria aqui, se enganou. Luís Ainázia da Silva vendo toda a transformação que sua irmã sofreu, resolveu também se repaginar. Queria realizar seu sonho, pois quando metalúrgico ele perdera o dedo errado. Seu sonho era ser mulher. Mas para tanto não bastava poder, era necessário ter dinheiro o suficiente para realizar a transformação; como Luís, ainda, não tinha os dois, permaneceu com o órgão indesejado, mas transformando o que dava para ser transformado, então, digamos, que ele virou uma quase mulher e passou a ser chamado de Luís Ainázia Lulu da Silva.
Por mais que se dobra o sino, por mais que a forja seja modificada para dar-lhe formato de violão, o badalo sempre estará lá para nos dizer que por mais que se pareça com um violão, sino sempre será. Como existem os que adoram o sino só pelo seu toque, existem também os que adoram pelo seu badalo; portanto Luis tinha uma tropa que o adorava pelo seu badalo, chamada de mensaleiros, porque todo mês vinha sentir o sino. O Zé Genon hino tocou badalando no sino; o outro Zé torceu tanto o badalo que hoje se pergunta porque o sino não dobra por ele; o Marcos Vale rio tanto com o badalo na mão que a felicidade fez-lhe cair os cabelos de tanto ficar ouriçado de prazer. Vou citar somente estes três para exemplificar a felicidade que Luís Ainázia Lulu da Silva proporcionou a si mesmo e aos seus amigos.
Dizem que toda história tem uma moral, se esta aqui tiver é a de que quem é o que é quando se tem dinheiro e poder é porque quer, pois com poder e dinheiro refaz o que foi feito e repara os defeitos.
Luís, enfim, aposentou e com sua família e da sua irmã foi gozar férias na Amazônia e lá foram mortos por índios Demo Kratas, da tribo Kaykoku Nupudê Nudoy. Os índios Demo Kratas tinha ojeriza por pretos, pobres, putas, pederastas e petistas, e nossos heróis tinham uma destas características, ou todas. A má sorte fi-los encontrar com estes índios que não tinha contato com a civilização desde 2002, e cuja característica é domesticar tucanos, tornando-as aves assassinas. Com o descobrimento da tribo, o governo resolveu exterminar os índios Demo Kratas e os tucanos domesticados para o bem do país. Após transladar os corpos, fora construído um mausoléu em Brasília para a família de Luís Ainázia Lulu da Silva, cujo epitáfio era esse: “Aqui jaz Luís Ainázia Lulu da Silva que perdeu a vida colaborando para o extermínio dos índios Demo Kratas e suas aves tucanas assassinas”.
28/10/07
* o autor alerta que para maior compreensão do texto atentar para a data de sua criação.
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