Os pensamentos, as experiências de vidas relatadas das minhas personagens não são reflexos dos meus pensamentos e experiências, mas sim, peças do mosaico que forma o ser humano. Os meus textos não intentam a polêmica, mas nos chamar à reflexão. Deixo o meu email para quem quiser trocar ideias, compartilhar textos e interagir: gotasdeprosias@gmail.com

sábado, 5 de março de 2011

Apenas um até logo

 


   Por aqui muitos amigos me emocionaram, fizeram-me chorar e rir. Aqui criei amigos, fiz irmãos e irmãs, aprendi e apreendi, melhorei como pessoa, desfiz-me de preceitos, conceitos e preconceitos. Fiz uma irmã de alma e de outra uma alma irmã. Por isso a todos darei um até logo, espero estar de volta logo. Vou devido a compromissos profissionais que me tomarão tempo e me requerão mentalmente concentrado no novo desafio. Devido também a problemas pessoais, minha Rosa, alérgica e com colesterol alto, o meu Cravo, alérgico ao glúten requerem mais atenção. Deixo vocês entregue as escritas de uma amiga muito especial, Samaryna. Dela falarei pouco, pois todos a conhecerão com a leitura de seu texto. Deixo dela apena esta frase:
“Um grande homem não tem um mulher atrás, mas dentro de si”.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Imagem de indignação

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    O dia surgia cobrindo a manhã com uma névoa densa, no horizonte só se via feixes de luzes vindo das lâmpadas dos postes. Saí todos os dias como sempre faço, carregando o peso da minha responsabilidade. Cheguei ao centro da cidade, a névoa havia dissipado. Percorri as mesmas ruas para chegar ao meu trabalho. Pouca coisa mudou, geralmente são os mesmos rostos. Olhei na calçada da padaria ainda fechada e vi traços de algo coberto por uma caixa de papelão. Aproximei e percebi que ali estava um irmão. A ironia de tudo isso é que na caixa de papelão estava escrito em letras garrafais: “PRODUTO DE QUALIDADE”. Ele se mexeu, sentou-se e bebeu um líquido de uma garrafa. O cheiro era muito forte para ser cachaça, percebi que era álcool. Sai dali transtornado devido minha impotência. Culpei-me por não ter lhe ajudado. Sei que minha indignação não mudará o seu destino. Sei que mais tarde o dono da padaria limpará aquele chão.
     Cheguei ao serviço cumprimentando a todos, poucos responderam. A indiferença daqueles com quem convivo a maior parte do tempo não me incomodou. Adaptei-me ao meio e o meio não me mudará.
     A noite descortinou diminuindo um pouco o peso da responsabilidade. Saí do serviço e uma senhora passa de mãos dadas com uma criança. Ela me encara, sorri e gesticula com a mão dando tchau. Retribuo-lhe o sorriso e o cumprimento. Reconfortei-me e senti a esperança naquela criança. Caberá a nós ensiná-la a permanecer assim, quem sabe quando adulto ela passará por uma calçada e não verá um indigente porque ela aprendera a lição: AMAR O PRÓXIMO. Ainda há tempo de ensinarmos todas as crianças.
     Eu tenho dois. Elas são o arco-íris dos meus dias chuvosos, o sol nos meus dias claros, lua e estrela em minhas noites, o combustível que me leva adiante. Eu as ensinarei amar. Faça a tua parte e ensina uma. Ainda há esperança.