Os pensamentos, as experiências de vidas relatadas das minhas personagens não são reflexos dos meus pensamentos e experiências, mas sim, peças do mosaico que forma o ser humano. Os meus textos não intentam a polêmica, mas nos chamar à reflexão. Deixo o meu email para quem quiser trocar ideias, compartilhar textos e interagir: gotasdeprosias@gmail.com

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Por cinco dias

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   Um tapa. Apenas um tapa. Blaft. Pronto. Só isso. Um tapa.
   Passional, você quer algo mais forte. Não, um tapa não. A dor será só na superfície. A marca, um vermelhidão que sumirá em poucas horas. Um tapa, decididamente não. A dor tem que ser mais profunda, mesmo esmaecendo depois, volta tal o fogo à brasa ao ser atiçada. O tapa é um gesto supérfluo que se esvai como o ar ao ser consumido pelo fogo. Porém, a dor que atinge o âmago é ferida incicatrizável. Ah! Essa dor somente nos atinge por palavras. As palavras, você as sabe usar muito bem.
   Um tapa. Apenas um tapa. Blaft. Pronto. Só isso. Se fosse um tapa... Até que seria perdoável, mas as palavras...

   Umazinha uma vez na semana e você se acha homem... Ah, não quer que eu grite... Danem-se os vizinhos. Eu grito e bem alto: Você não é homem! Quem sabe assim, todos sabendo, não cai um na minha horta... Você não quer que eu bata nas minhas coxas. Como você é patético. Acha que trocar uma lâmpada, o botijão de gás, o pneu do carro te faz homem. Muitos fazem isso e aquilo melhor que você, e digo mais, até uma mulher faz, e aquilo também... Não se faz de desentendido, você sabe muito bem o que quero dizer com “aquilo”... Vai tomar você... Eu seria se fosse filha da sua mãe... Já estamos nela, querido... Agora você é homem, quer me bater. Nem para isso você presta. Você é um covarde. Tá mudo agora. Queixas e mais queixas é o teu mantra diário. Cadê os gestos de carinho, o “Oi, meu bem! Como foi o seu dia?”... Ah, eu não faço isso também. Você quer tudo à base de troca. Lavar, passar e cozinhar. Não mereço nem um “Obrigado querida”... Ah, eu não faço isso só para você. Ok, de hoje em diante eu faço a minha parte e você faz a sua... Como você ousa dizer isso. Então vá atrás de suas putas. Pensa que sou uma máquina que liga e desliga quando você bem entender. È só chegar, apertar o botão e fuck me... Você rir desgraçado, debocha. Você pensa que isso aqui é um liquidificador para espremer o sumo da fruta sem triturá-la. E o liquidificador como fica se nem prazer têm... Grito sim, afinal sou a Rô Barraqueira... Pode ir para o seu boteco. Vai lá me pintar com as tintas que carrega... É assim que você me ver, como uma bruxa. Vocês homens são todos iguais, só muda o manequim e o endereço. Aqui para você.

   Ela apontou para mim as mãos espalmadas e aos poucos foi curvando o dedo polegar, indicador, anelar e mínimo.
   Passei uma água no rosto antes de sair e vi na lixeira um pacote pequeno contendo um líquido pastoso, absorvido no algodão, na cor vermelho enegrecido. Por cinco dias viveremos um inferno, contudo, durante os outros vinte cinco estaremos entre flores, amando. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Partidas e chegadas... O que faz você feliz?

   - Vamos?

   Não sei precisar a idade que eu tinha. Era muito pequeno, inexperiente. Sei que a bola de capotão ainda rolava colada aos meus pés, abrindo trilhas, desbravando caminhos.

   - Vamos? – Insistiu na pergunta.

   Talvez a imprecisão da idade seja por, na época, ter pouca idade; ou, mais precisamente, por, agora, ter muita idade, as reminiscências vir como um filme em preto e branco mofado pelo tempo, e ao assisti-lo, as imagens no écran mostram-se distorcidas.

   - Vamos? – A insistência não me enfadava.

   Parti para a vida com um apelido enervante: Pelé, e ao meu nome acrescentaram um sobrenome que não era meu: Eder Jofre. O peso do apelido e sobrenome abalava a minha constituição física, e a alma imberbe ainda não estava preparada – realmente nunca esteve – para chutes e socos. Precisava beber em outra fonte para a ignorância não tomar conta de pés e mãos.

   - Vamos? – A fonte, insistente, não desistia de mim.

   Retirei a poeira dos pés com as mãos, e as esfregando uma na outra me desfiz dos socos.
   Não houve mais a necessidade do chamamento. Peguei-o pela capa, abri-o folheando as suas páginas, desatei os nós que freava os pés e os enfiei na primeira página. Parti para a viagem tropeçando em algumas palavras. Dos pontos fiz parada para o descanso, em alguns pontos de exclamação encostei por pura admiração, das vírgulas fiz chapéu, travessões serviram de cama e muitos pontos de interrogações deixei para trás por não me servir como bengala. Quando, enfim, cheguei ao último ponto, o ponto final, abaixo dele havia a felicidade. E não teve mais fim. Vamos?

   Em uma das entrevistas concedida por José Saramago, perguntaram-lhe se não gostava de viajar. Ele respondeu que não precisava, pois tinha os livros.
   Qual de nós nunca intentou encontrar um escritor, que ao lermos, nos falasse à alma. Eu encontrei três, a saber, Célia de Lima, Deia e José Saramago.
   A Deia faz da sua escrita a possibilidade da felicidade realizável. Por isso os convido a clicar aqui. Conheça-a
   É dela o selo “Partidas e chegadas... O que faz você feliz?” Um presente embrulhado em papel de seda. Porém, presentes, a Deia me dá ao publicar os seus textos. E isso me faz feliz: lê-la. Vamos?


   Partidas e chegadas... O que faz você feliz? , tem regras bem fáceis:

1 - Copie e cole o selinho na sua postagem;
2 - Conte-nos o que lhe faz feliz, entre partidas e chegadas, simples assim!; 
3 - Conte quem lhe presenteou, se possível adicionando o link para o blog;
4 - Indique ao menos 5 blogs para receberem o carinho e avise-os, para que eles possam continuar a brincadeira. Podem ser mais, claro, o importante é provocar a ideia naqueles que lhe visitam!
5 - Volte aqui e avise se já está participando, nesse mesmo post.

   Eu passo o presente para amigos viajantes. Hei-los:
Pedras Nuas: Sei_Lá
Lua Nova: Poetizando