Se o humano se conformasse com tudo que a natureza lhe oferecesse, ele nunca teria decido do galho; Maristela, por natureza, era uma mulher que se conformava com tudo, por isso com quase cinqüenta anos, ela ainda engatinhava nos galhos de sua árvore evolutiva. Tal qual Eva esperando a cobra para lhe ofertar o fruto proibido, Maristela, ao invés do fruto, preferiu a cobra e assim levou a vida com prazer total até o dia em que seu marido Bráulio desceu na escala evolutiva, e a cobra que dava sabor ao fruto que Maristela carregava entre as pernas, não mais apreciava o mesmo, e ela, Maristela, resolveu usar o instrumento que tinha em mãos e passou a usar os dedos onde mais cabia, pois o que Bráulio tinha, a cobra entre as pernas, não rastejava mais.
E assim Maristela, com o peso da idade transformando o seu corpo, de tanto usar os dedos, os mesmos estavam tão finos que não serviam nem mais para fazer cócegas na aranha; e Bráulio por não mais usar o vigésimo primeiro dedo, este só servia para que a urina chegasse ao seu destino. Por conseguinte vinha Lua, ia Sol e vinha Lua de novo e a aranha de Maristela ardia em fogos, e como nem os dedos lhe aprazia, ela não deixaria que teias fossem tecidas sobre a mesma por falta de uso. Então ela deu um salto para sua evolução e desceu do galho que lhe prendia, radicalizou. Fervorosa a Deus, novamente, ela apelou para Santo Antonio e quebrou a cabeça da imagem do santo prometendo colá-la assim que ele revivesse o bráulio do Bráulio. O Santo sabendo que não poderia rogar a Deus para que intercedesse, pois Ele não metia o dedo para resolver os problemas carnais humanos, resolveu aparecer a Maristela em sonhos indicando que ela procurasse ajuda a outras religiões.
Ao chegar no terreiro de macumba contando ao pai de santo os seus problemas, ele disse a Maristela que não fazia milagre e mesmo que fizesse, com o corpo que ela tinha não haveria cobra que desse o bote, e que ela precisava era de um médico, mais precisamente de um cirurgião plástico para que pudesse apetecer o bráulio do seu marido.
Entrementes Bráulio ia jogando em tudo que era jogo, até que em um belo dia ele ganhou sozinho a mega sena. Maristela, depois deste fato, resolveu repaginar o seu corpo. Ao chegar na clínica o médico foi logo falando para Maristela que não fazia milagre, e que no caso dela só Deus para melhorar a fôrma e lhe dar outra forma. Usando o instrumento que mudava de idéia, tanto o padre como o político, Maristela derramou sobre a mesa do médico malas de dinheiro, e tal qual o político que é afoito tanto ao poder quanto ao dinheiro, guardou as malas e mudou de idéia.
No rosto de Maristela que mais parecia jenipapo passado, o médico usou tanto botox que transformou o que parecia um maracujá em uma pêra, e ficou tão linda que daria inveja a qualquer atriz da Globo. Os seios de Maristela estavam tão caídos que quando ela tirava o sutiã, os mesmos eram usados como inseticida, pois com a queda matava qualquer inseto; com as próteses de silicone, os seios além de fazerem inveja a qualquer ninfeta, davam de dez em quaisquer seios de qualquer garota Big Brother. Mais lipoaspiração, lipoesculturação, silicones na bunda, retirada de varizes e joanetes, Maristela estavam tão perfeita que Deus não teria feito melhor; isso prova o poder do dinheiro, pena que nas mãos dos políticos, o dinheiro não faz a transformação que faz nas mãos dos médicos. Saindo do médico Maristela foi direto ao cabeleireiro para tingir os cabelos de louro e saiu de lá tal qual manga mastruz chupada, mas mesmos assim linda. Passando numa loja comprou um vestido vermelho e foi fazer o teste de beleza, para isso passou perto de um edifício em construção, e os peões de obra foi logo desfilando suas pérolas:
- Você é a nora que minha mãe queria.
- Com este corpo e o vestido vermelho, queria ser um touro para correr atrás de você.
Não precisa dizer que Maristela saiu dali com a alma lavada e com a certeza que o dinheiro fora bem investido. Chegando em casa ao bater a campainha, pois queria surpreender o seu marido, Bráulio deu um pulo para trás sem reconhecer que quem estava ali era a sua mulher; e o que parecia impossível aconteceu, o fogo subiu a cabeça, mas a cabeça do meio não dava sinal de jeito nenhum. Refeito do justo e já dentro de casa, sabendo que quem estava ali era sua mulher, Bráulio usou tudo que é instrumento que levasse ao amor e conseqüentemente ao sexo, mas o instrumento principal não funcionava nem com reza brava. Olhando para suas mãos, Maristela resolveu usá-las para, quem sabe assim, resolver o problema do Bráulio; não teve jeito, por mais que usasse as mãos, no vai vem, a cobra não batia continência e nem soltava o seu veneno. Novamente dando um passo para sua evolução, Maristela radicalizou de vez, resolveu usar a boca:
- Vamos ao cirurgião plástico.
Com tantas malas de dinheiro na mesa do médico para convencê-lo a resolver o problema do Bráulio, se um político em Brasília visse aquela cena resolveria mudar de profissão, pois se existe uma profissão que dá dinheiro neste país é a profissão de político, pois por um meio ou por outro ele faz um real virar milhões de dólares. Malas recolhidas, o médico pôs mãos à obra, instalou uma haste de silicone no bráulio do Bráulio, e daquele dia em diante a cobra sempre estava armada para dar o bote. E os dois foram felizes para sempre, pois em casa onde a cobra sempre está armada para dar o bote, a aranha não cria teia.